Passo a passo de uma HQ no Quanta Estúdio

Historia em Quadrinhos Institucional

Este foi um trabalho desenvolvido pelo Quanta Estúdio (artista – Anderson Nascimento) no mês de março, para a Ideal Brasil, uma empresa de logística em softwares.

O objetivo era criar uma mala direta em quadrinhos, para divulgar como o produto deles pode agilizar e evitar erros durante a compra e venda de materiais. Uma campanha voltada para empresas.

Acompanhe abaixo todo o processo de produção, desde o briefing recebido pelo estúdio até a arte finalizada:



Briefing
HQ Sistema Força de Venda

A Empresa:
Somos uma Empresa de Software com foco na Área de Distribuição.

Nossos Produtos:
Sistema de Gestão para Distribuidor (FTR) e Sistema para vendedores (ForçaV)

O Sistema FTR gerencia o Escritório da Empresa de Distribuição e o Sistema ForçaV gerencia o dia a dia do vendedor dessa Empresa.

Mercado em que atuamos:
Distribuidores de ração

Público alvo:
Empresas Distribuidoras de Ração para lojas Pet Shop - SP

Job:
Criação de uma História em quadrinhos para envio por e-mail para nossa lista de possíveis clientes.

Finalidade:
Todo mês produzimos uma Newsletter p/ enviar aos nossos prospects.
São muito parecidos e gostaríamos de enviar algo diferente para ver como nossos Prospects reagem. Queremos mostrar as facilidades de trabalhar com nosso Sistema ForçaV e criar uma identidade com nossos possíveis clientes.


                 

Criação de HQ
Formato: HQ "clássica" 3 x 3 (configuração 3 quadros x 3 tiras - máximo de 9 quadros)
Configuração da página: 706 x 1180 pixels (mesmo tamanho da propaganda atual de vocês)
Traços e cores: Anderson Nascimento

Cenário 1ª Tira:
1.   Quadro 1
Criar o cenário de uma Loja Pet
Vendedor em frente ao seu cliente no balcão tirando um pedido no talão de pedidos com pressa Detalhes: Vendedor trajando camisa social, calça jeans ou calça social (sem terno sem gravata), portando calculadora, maleta com relatórios, lista de preços, talão de pedidos, caneta, celular.
Cenário de desconforto para o cliente e o vendedor.

2.   Quadro 2
Criar o cenário do escritório de um Distribuidor de ração
Escritório com três atendentes falando ao telefone em frente ao micro. Fone tocando.
Detalhes da mesa: calculadora, papéis na mesa, talão de pedidos e fax com bobina saindo pedidos. Cenário de desordem.
Para cada atendente um balão com um vendedor falando no celular (passando os pedidos) e a atendente digitando no Excel no micro.
Cenário de desorganização.

3.   Quadro 3
Frente da Loja Pet do quadro 1
No dia seguinte...
Cenário da Loja Pet vista de fora com um cliente dentro da Loja.
Caminhão da Distribuidora na porta da Loja descarregando o pedido (sacos de ração).
Cliente do quadro um na porta da Loja ao lado da mercadoria falando no celular com Distribuidora reclamando que a mercadoria está errada. (Não pedi nada disso!)

Cenário 2ª Tira:
1.   O mesmo cenário Quadro 1
da Loja Pet do quadro um
A mesma cena do quadro um da cena um, mas tirar o clima de desordem e bagunça.
Vendedor e cliente tranqüilos.
Vendedor só com um celular (Smartphone) na mão tirando um pedido com nosso Sistema.
Cenário de conforto e satisfação para o cliente e o vendedor.

2.   Quadro 2
Escritório do Distribuidor de ração
O mesmo escritório, mas com uma atendente no micro.
Tirar o clima de desordem e bagunça.
Na mesa arrumada pouco material e um telefone.
Atendente em frente ao micro com a tela do nosso Sistema (Recebendo pedidos...).
Com os mesmos três balões dos vendedores mas agora cada um com um Celular enviando os pedidos. Dar destaque no celular na mão dos vendedores (Smartphone c/ a imagem do nosso Sistema)
Cenário de organização e satisfação.

3.   Quadro 3
Frente da Loja Pet do quadro 1
No dia seguinte...
Cenário da Loja Pet vista de fora com clientes dentro comprando.
Caminhão da Distribuidora na porta da Loja descarregando o pedido (sacos de ração).
Cliente do quadro um na porta da Loja ao lado da mercadoria satisfeito.

Cenário 3ª Tira:
1.   Quadro 1
Alguns Clientes Ideal Brasil
Imagens de vendedores satisfeitos
Tentar colocar o logo ou o nome dos nossos Clientes na camiseta dos vendedores.
Se não der, deixar somente vendedores com um celular na mão.

2.   Quadro 2
Colocar uma lista com o nome dos nossos Clientes ou logotipos.

3.   Quadro 3
Solicite uma visita.
Contatos:
Fone: 00-0000-0000
Nextel: 0000-0000
Skype – mono.mono.mono
MSN – mono@mono.not
Site – www.idealbrasil.net (Chat on line)

Rough:



Arte final (traço e cor):



Baloamento e letreiramento:



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Desenho realista vs. desenho estilizado



Round 1: Realista vs. Estilizado

Os lutadores:
REALISTA: adj m+f – 1. Que considera a realidade; 2. Que representa a realidade.

ESTILIZAR: adj m – 1. Dar estilo a; 2. Simplificar uma figura dando-lhe aspecto decorativo, reduzir as linhas gerais.

Desde que o ser humano manchou com lama a parede da caverna pela primeira vez, surgiu a vontade de reproduzir a realidade da maneira mais fidedigna possível.

Com o tempo, essa ideia foi crescendo na mente dos artistas que viram nela um “santo graal” e partiram em sua busca. E foi nessa que o público leigo, os admiradores de arte e até mesmo alguns artistas começaram a definir que a qualidade de uma obra é medida pelo seu “grau” de realismo. Quanto mais parecido com uma pessoa de verdade, quanto mais “certinha” a perspectiva, quanto mais fios de cabelos e pelos desenhados um por um, melhor.

Num mundo sem a fotografia, todo esse furor em cima do naturalismo – nome dado às obras “mais realistas possíveis” – é até compreensivo, mas havia quem buscasse por outras coisas...
Quase em paralelo a todo esse processo, havia artistas que buscavam mais do que realismo: buscavam expressão e simbologia. Para isso eles se desprenderam da realidade e buscaram por novas formas de representação. Eis que surgiam os primeiros conceitos de estilização.

Havia também aí a aplicação e a interpretação de cada artista sobre o desenho, formando o estilo individual. Isso ampliou as possibilidades, trouxe novos conceitos e novas percepções.

Dos trabalhos cubistas de Picasso ao mangá do Naruto, são todas formas de estilização.
Foi assim que o mundo da arte se dividiu, mas o público não. Continuou relacionando realismo à qualidade. Até mesmo alguns artistas ainda se mantém presos à esta ideia retrógrada, o que alimenta todo o preconceito, mas foi quando o público se transformou em cliente é que a coisa realmente ficou complicada.

Uma coisa é gosto e senso estético pessoal, outra coisa é qualidade e aplicação prática. Não é porque um desenho é estilizado que ele é ruim. E vice-versa.
Pode até parecer óbvia esta minha última afirmação, mas não é bem assim para maioria das pessoas. Elas não conseguem ver toda a complexidade que está por trás de um bom desenho cartum, por exemplo.

Quando você trabalha com arte – tanto produzindo, quanto utilizando – é muito ruim misturar gosto com qualidade. É preciso analisar de maneira imparcial os objetivos de um desenho, sua utilização e aplicações práticas, seus conceitos técnicos e, à partir disso, definir sua real qualificação.
A questão é que uma arte, seja em qual estilo for, tem seu foco e sua finalidade e ela não funcionará fora de seu contexto. Tanto o realismo quanto a estilização são igualmente funcionais quando usadas de maneira adequada.

Enfim, nenhum é melhor do que o outro: nem realismo, nem estilização. Ambos são igualmente bons quando produzidos e usados de maneira adequada.

FIM DO COMBATE.
RESULTADO: Empate. 


Como ser um ilustrador profissional


Todos os dias, centenas de pessoas ingressam em escolas de desenho, faculdades de arte e design, compram livros de “how to draw”, de anatomia, comunicação visual etc., tudo isso com o intuito de se tornar um ilustrador.

Até aí, nada de mais. Todo mundo que quer ser ilustrador precisa realmente se dedicar ao estudo do desenho e seus conceitos, dos mais práticos aos mais subjetivos. Precisa desenhar muito, praticar os conhecimentos teóricos adquiridos, observar o mundo que o cerca e entender como as pessoas se comunicam, principalmente através de imagens.

Todas essas coisas são fundamentais, claro, mas não são elas que fazem um ilustrador profissional. Na real, isso compõe só uns 50% do ilustrador.

“Então, o que seriam os restantes 50%” – pergunta o garotinho gorducho de óculos sentado no fundo da sala. E eu respondo: Profissionalismo.

Entregar as artes no prazo correto, feitas de acordo com a pauta passada pelo editor, com qualidade e nas medidas certas, é tão importante quanto saber desenhar bem um rosto ou marcar pontos de fuga.

O fato é que se você quer ser um profissional, um bom profissional, você tem que seguir certos “protocolos” de trabalho.

Por isso mesmo é que eu separei 10 pontos importantes para ser um ilustrador profissional:

PRATIQUE O DESAPEGO.
A primeira coisa importante é que quem ilustra o faz para os outros e não pra si. Os desenhos são produzidos para passar a ideia de alguém para outras pessoas. Você não desenha aquilo que quer, desenha o que os outros precisam.

Pode parecer óbvio, mas a maioria dos aspirantes a ilustrador (e alguns ditos profissionais) não percebem isso. Ou não dão a mínima.

A ilustração não é sua obra de arte nem é a sua expressão pessoal. É uma arte feita com um propósito – o do editor. 

Portanto, não se apegue a ela e faça sem reclamar o que o editor quer (desde que isso seja viável, claro).

ORDEM NA CASA!
Organize a sua maneira de trabalhar. Crie uma metodologia para isso e siga-a.

Não importa se seu método é extremamente pessoal e mais ninguém no universo seja capaz de entender como você faz as coisas. O que importa é que ele funcione e que seu trabalho corra bem e de maneira eficiente.

Isso garante a você atender todos seus clientes, sem stress e deixando tempo suficiente para viver sua vida pessoal. 

Vá jogar videogame só quando seus afazeres estiverem em dia.

TIME IS MONEY!
Seu trabalho não está sozinho. Ele faz parte de um conjunto maior (um livro, uma revista...) e está ligado ao trabalho de muitas outras pessoas.

Quando o ilustrador atrasa, todo um processo de trabalho envolvendo essas pessoas vai por água a baixo. E da mesma maneira que você não gosta quando outras pessoas falham com você, elas não gostam que falhe com elas.

É claro que, eventualmente, passamos por problemas que estão além daquilo que podemos resolver e que podem acarretar atrasos, mas eles não acontecem o tempo todo. Ninguém vai acreditar em problemas recorrentes que sempre acontecem coincidentemente com os prazos dos trabalhos, por isso, não adianta ficar gripado toda semana em que você está com muito trabalho, o cliente sabe que você esta atrasado, e que ficou assim porque ficou jogando vídeo-game!

O bom profissional precisa saber avaliar o tempo que leva para fazer as ilustrações e decidir se consegue ou não cumprir o prazo estipulado.

Não pegar um trabalho por não ter condições de entregar no prazo é completamente normal e aceitável. Assumir compromissos que não pode cumprir é “um tiro no próprio pé”.

FAÇA SEMPRE SEU MELHOR, PEQUENO GAFANHOTO.
Todo trabalho tem sua importância, não os menospreze! 

Procure sempre fazer o melhor que você pode dentro as circunstâncias que envolvem as ilustrações (prazo, estilo, público alvo). Se não está fazendo o melhor que pode o errado é você.

“É NÓIS NA HUMILDADE, NÉ MANO?”
Não importa o quanto você desenhe bem. Não importa o quanto você acha que desenhe bem ou o quanto você goste de seu trabalho e de si mesmo: sempre tem alguém que é melhor que você. Fato.

Aceite que seu trabalho não é a oitava maravilha do mundo moderno, que você sempre terá coisas a melhorar e que há outras pessoas no mundo que ilustram tão bem ou ainda melhor do que você. Ponha isso na cabeça e faça o seu melhor, ouça as críticas e as aceite. Use-as para melhorar suas artes.

JUSTIÇA, VERDADE, HONRA E LEALDADE.
Ética: Pratique. 
Não copie ou use de maneira indevida artes de outros ilustradores... Além de não ser ético, é crime.

Não adianta tentar disfarçar, espelhar a imagem no Photoshop, mudar a cor do cabelo... Alguém vai perceber o plágio, mais cedo ou mais tarde. E aí, além da “dor de cabeça” você conseguirá uma má reputação no mercado.

COM QUE PORTFÓLIO EU VOU?
Monte seu portfolio com cuidado: Ele é você.

Para efeito geral, os trabalhos no seu portfolio são tudo o que você sabe e o melhor que pode fazer. Ninguém vai imaginar que você pode fazer mais coisas além daquilo que está apresentando.

Separe algo entre 15 e 20 trabalhos, que abranjam todos os estilos de desenho que você faz, mostrando que você sabe desenhar pessoas, animais, veículos, objetos, cenários...

Nunca, nunca coloque cópias de desenhos dos outros. Além de antiético, pega mal e não serve para nada – só pra mostrar o quanto o cara que você copiou é bom.

E por último, só use trabalhos que você consegue e quer executar.

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR!
Faça a sua parte. Ela é de inteira responsabilidade sua. Não fuja das coisas que tem que fazer, não tente jogar suas responsabilidades sobre os outros, não dê desculpas esfarrapadas por aquilo que não cumpriu e não fique culpando terceiros pelos seus erros. Assuma o que faz, tanto de bom quanto de ruim.

AMIGO É COISA PRA SE GUARDAR...
Não enxergue outros ilustradores como concorrentes e possíveis “ladrões” de trabalho (e nem fique tentando roubar trabalho dos outros). Cada um tem seu espaço e há bastante mercado para todo mundo.

Os profissionais se conversam e dividem trabalhos, experiências etc. Ninguém consegue fazer tudo sozinho e você pode obter muita ajuda de outros profissionais.

Portanto, não tente vencê-los... Una-se a eles!

RUN, FORREST, RUN!
Não fique sentado esperando que os trabalho caiam no seu colo. Acredite: Isso não vai acontecer!
Você precisa correr atrás, oferecer seus serviços junto às pessoas que podem usá-los, mostrar seu portfólio por aí e fazer a propaganda de si mesmo.

Se ninguém sabe que você existe e nem o que faz, como espera que alguém lhe passe trabalho?

Enfim, seguindo estas 10 ideias básicas somadas ao empenho no estudo do desenho e ilustração, qualquer um pode ser um ilustrador profissional.

Fácil, não?

É isso.

RONALDO BARATA
Diretor de Arte – Quanta Estúdio de Artes